CÁ TE ESPERO...

Continuando a recordar...

      DEVIA SER ASSIM









Não me amavam, talvez, e bem podia ser


enganosa e traiçoeira aquela ideia louca:


Ele ansiava sorver-lhe o mel da linda boca,


de encontro ao coração senti-la estremecer.



Ela vivia em sonho, alegre só de o ver.


Porém, o sangue em brasa a mente nos apouca:


Pensaria também em beijos, muda e mouca


aos brados da prudência, a pobre? Pode ser.



Pensava com certeza e ardia em tal desejo.


O acaso... Uma atracção... e os loucos dão o beijo...


O abraço foi em brasa e a sensação é fria!...



Uma fogueira acesa e extinta num momento!


Em cinza, as ilusões varridas pelo vento...


Logo o tédio matou o encanto que os unia!









Isaura Matias de Andrade


In Livro "Sinfonia da Terra"


Livraria Editora Educação Nacional - 1943



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