Saudades de Portugal
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Quando o Sol já vem cansado
de vencer tanto caminho,
e busca a sombra dum ninho,
setinoso aconchegado,
vê Portugal num cantinho,
envolto em graça louçã...
e quer parar no caminho,
abrindo a luz da manhã!
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Vai o Sol meio da estrada...
- brilha então com mais fulgor,
sempre a beijar com amor
terra por Deus bem-fadada!
E na luz cariciosa
dum inefável carinho,
dá vida e perfume à rosa,
aquece as penas do ninho.
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Á tarde, o Sol sôbre o mar
vai descendo lentamente...
e na luz dum tom dolente
tem a sombra dum pesar...
Saudades!... quem as não sente?!
também o Sol leva mágoas...
e vai assim, lentamente,
descendo além, sôbre as águas...
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Campos Teixeira
In Livro "Trovas Portuguesas" - 1924
Editora de A. Figueirinhas