CÁ TE ESPERO...

De volta ao passado...

A um poeta



 



Tu, que dormes, espírito sereno,


Posto à sombra dos cedros seculares,


Como um levita à sombra dos altares,


Longe da luta e do fragor terreno,




Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno,


Afugentou as larvas tumulares...


Para surgir do meio desses mares,


Um mundo novo espera só um aceno...




Escuta! É a grande voz das multidões!


São teus irmãos, que se erguem! São canções...


Mas de guerra... e são vozes de rebate!




Ergue-te pois, soldado do Futuro,


E dos raios de luz do sonho puro,


Sonhador, faze espada de combate!



 



Antero de Quental


(1842-1891)

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