CÁ TE ESPERO...

Recordando...

          O TEMPO


 


 


 


 


 


       


Homens, ouvi-me! Eu chamo-me o Presente.


Sou como a grão de trigo; se no mundo


me semeais no Bem, nasço e fecundo


a Eternidade de que sou semente.


 


 


 



Mas se me esperdiçais incautamente


em frívolas acções, sou infecundo;


caio no vácuo, vou parar ao fundo


da vida estéril que perturba a mente.


 


 


 



Maldito o homem que me arroja adrede


nos desertos do Mal! Ó loucos crede


que a Justiça não tarda, e que anoitece...


 


 


 



Some-se o Tempo. O que o homem faz não passa:


nas mãos de Deus, por bem ou por desgraça,


eternamente imóvel permanece.


 


 


 


 


 


 


 



 


(In Livro "do HOMEM e da TERRA")


1932 - Edições "Brotéria" - Lisboa


Serafim Leite


1880 - 1969


 


 


 


 

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