CÁ TE ESPERO...

Recordando... Adolfo Casais Monteiro

VEM VENTO, VARRE


 


Vem vento, varre


sonhos e mortos. 


Vem vento, varre


medos e culpas. 


Quer seja dia,


quer faça treva,


varre sem pena,


leva adiante


paz e sossego,


leva contigo


nocturnas preces,


presságios fúnebres,


pávidos rostos


só covardia.


Que fique apenas


erecto e duro


o tronco estreme


de raiz funda. 


Leva a doçura,


se for preciso:


ao canto fundo


basta o que basta.                  


 


Vem vento, varre!   


 


 


In “Noite Aberta Aos Quatro Ventos – Líricas Portuguesas”


Portugália Editora


 


Adolfo Casais Monteiro


1908 – 1972

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