CÁ TE ESPERO...

Recordando... Adolfo Casais Monteiro

ACTO DE CONTRIÇÃO


 


Pelo que não fiz, perdão! 


Pelo tempo que vi, parado,


correr chamando por mim,


pelos enganos que talvez


poupando me empobreceram,


pelas esperanças que não tive


e os sonhos que somente


sonhando julguei viver,


pelos olhares amortalhados


na cinza de sóis que apaguei


com riscos de quem já sabe,


por todos os desvarios


que nem cheguei a conceber,


pelos risos, pelas lágrimas,


pelos beijos e mais coisas,


que sem dó de mim malogrei


 


– por tudo, vida, perdão!


 


In “Poesias Completas - 1969”


 


Adolfo Casais Monteiro   


(1908-1972)

0