CÁ TE ESPERO...

Recordando... Adriano Lourenço de Faria

ANTIGAMENTE

 

Antigamente

Os poentes eram álamos vermelhos

E o luar vibrava uníssono nos prados.

Adormecia com a via-láctea nos olhos.

Pressentidas

Como espirais de morcegos

As mãos eram afagos

E o regresso familiar.

 

Os sonhos eram o portal aberto

Para a manhã seguinte

As cintilações de orvalho

O ciciar das sombras

Os pássaros imprevistos.

A morte era apenas ausência.

 

Antes do renascer das sombras

E da criação dos símbolos

Como o silêncio, o luar e o mármore.

Antigamente,

Quando os poentes eram álamos vermelhos

E o luar vibrava uníssono nos prados.

 

In “ÁRVORE”

Folhas de Poesia

1.º Fascículo - Inverno de 1951-52

Pág. 137

 

Adriano Lourenço de Faria

(N.1929)

0