ANTIGAMENTE
Antigamente
Os poentes eram álamos vermelhos
E o luar vibrava uníssono nos prados.
Adormecia com a via-láctea nos olhos.
Pressentidas
Como espirais de morcegos
As mãos eram afagos
E o regresso familiar.
Os sonhos eram o portal aberto
Para a manhã seguinte
As cintilações de orvalho
O ciciar das sombras
Os pássaros imprevistos.
A morte era apenas ausência.
Antes do renascer das sombras
E da criação dos símbolos
Como o silêncio, o luar e o mármore.
Antigamente,
Quando os poentes eram álamos vermelhos
E o luar vibrava uníssono nos prados.
In “ÁRVORE”
Folhas de Poesia
1.º Fascículo - Inverno de 1951-52
Pág. 137
Adriano Lourenço de Faria
(N.1929)