CÁ TE ESPERO...

Recordando... Afonso Duarte

CANÇÃO DO NU


 


Lindo


Mármore precioso que na alcova


Surpreendi dormindo!


E lindo


À luz dum fósforo, acendido a medo,


Despertou sorrindo.


E, lindo,


Dos olhos as meninas me saltaram


Para o nu que se estava descobrindo.


 


Linda!


Ficou-se ao desgasalho adormecida,


Ai vida,


Como ainda não vi coisa tão linda.


 


Linda,


Braços abertos em desnudo amplexo,


Seu corpo era uma púbere mendiga,


E ele é que estava pedindo,


Lindo,


O meu sexo.


 


In “Contemporanea”


Director – José Pacheco


Ano I – Volume III – Nº.9 Ano 1923


 


 


Afonso Duarte


(1884 – 1958)

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