CÁ TE ESPERO...

Recordando... Afonso Duarte

ORAÇÃO


 


Sol, meu tesouro e luz dos meus sentidos,


O Sol da minha terra.


Sol a que meu espectro à flor dos campos erra,


E os cavadores cantam sucumbidos,


Terrosos como corpo em sepultura.


Seu destino fatal de imperfeição e agrura!


Ó elegias do Sol caindo no horizonte!


Rostos cristãos, os cavadores,


Rompe do saibro  a sua fronte,


Rios são água de suores.


Sol, esposo da Terra, e Sol, meu pai dos Céus,


A ti respeito, adoração!


Hoje sacra harmonia, antes Apolo pagão.


Homens dos homens somos réus.


 


In “Rapsódia do Sol-Nado e Ritual do Amor”


Renascença Portuguesa


 


Afonso Duarte


(1884-1958)

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