CÁ TE ESPERO...

Recordando... Afonso Duarte... Poeta do Séc. XX

ROSAS E CANTIGAS


 


Eu hei-de despedir-me desta lida,

Rosas? - Árvores! hei-de abrir-vos covas

E deixar-vos ainda quando novas?

Eu posso lá morrer, terra florida!

A palavra de adeus é a mais sentida

Deste meu coração cheio de trovas...

Só bens me dê o céu! eu tenho provas

Que não há bem que pague o desta vida.

E os cravos, manjerico, e limonete,

Oh! que perfume dão às raparigas!

Que lindos são nos seios do corpete!

Como és, nuvem dos céus, água do mar,

Flores que eu trato, rosas e cantigas,

Cá, do outro mundo, me fareis voltar.


 


 


In "Ler Por Gosto"


Areal Editores


 


Afonso Duarte


1884 – 1958


 


 

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