CÁ TE ESPERO...

Recordando... Al Berto... Poeta do Séc. XX

OFÍCIO DE AMAR


 


Já não necessito de ti

tenho a companhia nocturna dos animais e a peste

tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras


galáxias, e o remorso




um dia pressenti a música estelar das pedras abandonei-me ao silencio

é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração

não, não preciso mais de mim

possuo a doença dos espaços incomensuráveis

e os secretos poços dos nómadas

ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto

deixei de estar disponível, perdoa-me

se cultivo regularmente a saudade do meu próprio corpo.


 


(O MedoContexto – Lisboa)


 


 


In "Ler Por Gosto"


Areal Editores


 


Al Berto


1948 – 1997


 


 


 


 

0