CÁ TE ESPERO...

Recordando... Alberto Caeiro/Fernando Pessoa

O TEJO É MAIS BELO


 


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,


Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia


Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.


 


O Tejo tem grandes navios


E navega nele ainda,


Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,


A memória das naus.


 


O Tejo desce de Espanha


E o Tejo entra no mar em Portugal. 


Toda a gente sabe isso.


Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia


E para onde ele vai


E donde ele vem.


E por isso, porque pertence a menos gente, 


É mais livre e maior o rio da minha aldeia.  


 


Pelo Tejo vai-se para o Mundo.


Para além do Tejo há a América


E a fortuna daqueles que a encontram.  


Ninguém nunca pensou no que há para além


Do rio da minha aldeia.


 


O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.  


Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


 


XX - O Guardador de Rebanhos


 


In “Fernando Pessoa – Antologia Poética” – 3ª. Edição


Biblioteca Ulisses de Autores Portugueses


Editora Ulisses


 


Alberto Caeiro/Fernando Pessoa


1889 – 1915

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