CÁ TE ESPERO...

Recordando... Alberto de Oliveira

MISSAL DO POENTE


 


Às tardes. Cai o sol por trás de Santa Clara,


numa rubra explosão hilariante de cores:


pelo Mondego azul, passam barcos à vara,


onde, a cantarolar, avisto os Pescadores.


 


Do céu pérola, onde há uns laivos purpurinos,


cai uma doce luz, pacífica, serena...


Os choupos cortam no ar uns rendilhados finos,


transparentes, subtis, como um desenho à pena.


 


E, enquanto a Lua vem branqueando no horizonte,


o comboio, a correr, passa na velha ponte,


surge de entre um maciço escuro de salgueiros.


 


E eu, tristemente, como um solitário monge,


lembro a Pátria, a Família, os meus Amigos longe


e, com saudade, agito o lenço aos passageiros!


 


In "A saudade na Poesia portuguesa"


Portugália Editora - 1967


 


Alberto de Oliveira


(1873-1940)

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