UM JOVEM CAMARADA
Meu Camarada moço,
– Lidos os teus poemas,
Dizer-te que não temas
Dar-lhes fogo, a morte, o esquecimento,
Se queres a Poesia, vai para ela
Puro, desnudo, de ímpeto violento,
Como para a mulher
Em que parou teu sonho, – se és o seu.
Vai, como ela te quer.
Mas se outra chama inflama o teu amor,
se outro sonho tão belo te rendeu,
Tem a coragem nobre de depor
Os versos que não são teu instrumento.
Toma outras armas mais condizentes.
Não, a Poesia não a violentes!
Deixa os versos ao vento...
In “A poesia de Alberto de Serpa”
Ed. Nova Renascença
Alberto de Serpa
(1906-1992)