CÁ TE ESPERO...

Recordando... Alberto Serpa

POEMA III


 


Como tu embriagas!


Vens, ó Poesia!, ou tumultuosa ou mansa,


Cerras o nosso olhar a estes tempos em chagas,


E canta dentro em nós uma esperança.


 


És uma irmã que deixa


A fresca mão na nossa testa ardente,


Depois da luta que engrandece a queixa


Que temos sempre contra tanta gente.


 


És aquela que chega


— Se o tédio em nossas almas se insinua —


Sempre fácil e pronta para a entrega


Mais total e mais nua.


 


És tu, poesia, quem


— Quando nos prendem boca, mãos e pés —


A coragem raivosa nos mantém,


Ciciando-nos: “Talvez...”


 


Que bem hajas! Aqui


E em toda a parte, nossos passos guia!


Por cada hora, sejamos mais de ti,


E tu, mais nossa, Poesia!


 


 


In “Pregão”1952


Edições Saber


 


Alberto Serpa


1906 – 1992

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