CÁ TE ESPERO...

Recordando... Alexandra Malheiro

PELO INVERSO


 


Começar pelo fim,


arremeter pelo inverso,


iniciar de noite o dia,


penetrar-te o corpo pelo seu avesso,


desdobrar-te a pele,


correr os dedos por ti


em segundos de inanição


parda


a fazer de conta que não sinto,


não estou cá,


não sou eu,


este é apenas o inverso de mim,


a minha sombra


colorida apenas


da fraca luz que acho


no teu regaço.


É neste rigor


de espelhos


que me revejo.


Um inverso de alma,


uma espécie


de mim


ao contrário.


 


In “Geografias Dispersas”


Editora Edita-Me


 


Alexandra Malheiro


N. 1972

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