MORTE ÀS PALAVRAS
Tantas vezes que me apetece
matar as palavras ou
ficar quieta num canto à espera
que elas me matem.
Assassiná-las à paulada
é que era bom,
arrastá-las pelos cabelos,
arrancar-lhes os olhos,
as tripas, as guelras,
uma coisa de sangue e entranhas,
desentranhá-las de mim.
Tantas vezes me apetece
romper com as palavras,
deixar de ser servil e
pô-las ao meu serviço
e cuspir-lhes nos olhos
um desaforo qualquer,
dizer-lhes bem alto
para os vizinhos ouvirem:
“Ide para a frase que vos pariu
In “Geografias Dispersas”
Editora Edita-Me
Alexandra Malheiro
(N.1972)