CÁ TE ESPERO...

Recordando... Alexandra Malheiro

MORTE ÀS PALAVRAS


 


Tantas vezes que me apetece


matar as palavras ou


ficar quieta num canto à espera


que elas me matem.


Assassiná-las à paulada


é que era bom,


arrastá-las pelos cabelos,


arrancar-lhes os olhos,


as tripas, as guelras,


uma coisa de sangue e entranhas,


desentranhá-las de mim.


Tantas vezes me apetece


romper com as palavras,


deixar de ser servil e


pô-las ao meu serviço


e cuspir-lhes nos olhos


um desaforo qualquer,


dizer-lhes bem alto


para os vizinhos ouvirem:


“Ide para a frase que vos pariu


 


In “Geografias Dispersas”


Editora Edita-Me


 


Alexandra Malheiro


(N.1972)

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