CÁ TE ESPERO...

Recordando... Alexandre O’Neill

AUTO-RETRATO


 


O’Neill (Alexandre), moreno português,


cabelo asa de corvo; da angústia da cara,


nariguete que sobrepuja de través


a ferida desdenhosa e não cicatrizada.


Se a visagem de tal sujeito é o que vês


(omita-se o olho triste e a testa iluminada)


o retrato moral também tem os seus quês


(aqui, uma pequena frase censurada...)


No amor? No amor crê (ou não fosse ele O’Neill!)


e tem a veleidade de o saber fazer


(pois amor não há feito) das maneiras mil


que são a semovente estátua do prazer.


Mas sofre de ternura, bebe de mais e ri-se


do que neste soneto sobre si mesmo disse…


 


In “Poesias Completas”


Assírio & Alvim


 


Alexandre O’Neill


(1924-1986)

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