CÁ TE ESPERO...

Recordando... Alfredo Vítor de Salema Vaz

MARCAS, OLHANDO OS DEDOS NÚS


 


Heráldicas safiras, que vos fiz?


Esmeraldas d’esperança, onde vos puz?


De astrais brilhantes, que é da casta luz?


E onde sangrais, meus bélicos rubís?


 


Perdi-vos para sempre! A sorte o quiz!


Choram por vós meus pobres dedos nús…


Como um vitral precioso nos seduz


De Laura o lacteo corpo onde fulgiz!


 


Tudo o que eu tinha, Amor, tudo te dei,


Sou pobre como Job e como um Rei


Fui pródigo de Bens e d’Honrarias!...


 


Hoje… - ai de mim!... Quizera reaver


Meu coração, que tu levaste, a arder,


Por entre coruscantes pedrarias!


 


Agosto de 1920


 


(Do livro inédito: Alguns Sonetos)


 


Mantém a grafia original


 


In “Alma Nova” – Publicação Mensal


IIIª Série – Maio/Junho de 1922 – Nº 2


Editora – Empresa de Publicidade “Ressurgimento”


 


Alfredo Vítor de Salema Vaz


(1893 -1939)    

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