CÁ TE ESPERO...

Recordando... Amândio César

ESCOLA VAZIA


 


Eu fui lá nesse dia, como nos outros dias,


só para ver, mas ver como se fizesse parte,


as crianças brincar e saltar, despreocupadamente.


 


Os jardins estavam vazios de gritos infantis


e um bibe verde-claro, ficou-se


balouçando, no braço estendido


de qualquer arbusto, ao acaso ...


 


Os jardins estão vazios e mesmo os bancos


não têm ninguém sentado;


um livro aberto, cadernos pelo chão,


e uma pena que rolou por rolar


e está espetada como uma seta.


 


Só acácias tristes balouçam ao vento,


balouçam e vão caindo, e o vento continua


balouçando;


só a escola está vazia,


enquanto os aviões continuam passando, passando...


 


(mantém a grafia original)


 


In “Altura“ 


Cadernos de Poesia


N.º 2 de Maio de 1945


 


Amândio César


(1921-1987)

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