CÁ TE ESPERO...

Recordando... Américo Durão

A MINHA MÃE


 


Lembra alvuras de cisne sobre um lago,


A minha vida imaculada e honesta;


Oiço bater meu coração em festa,


Pela bondade e amor que nêle trago.


 


Do meu orgulho olímpico de mago,


Só o desdém aos meus inimigos resta,


Maior que às folhas mortas da floresta


Que nos meus dedos pálidos esmago.


 


Mas a piedade enche o meu peito e vem,


Em vez de tão humano e vil desdém,


Ungir meus lábios num perdão divino.


 


– Julguei ser Deus… E choro de cansaço!


 Ó mãe piedosa, embala no regaço,


Meu coração exausto de menino.


 


In “Alma Nova” – Revista de Ressurgimento Nacional


III Série Nos. 4 a 6  Dezembro – Março 1923


Edição da Emprêsa de Arte e Publicidade “Ressurgimento”


 


Américo Durão


1894 – 1969


 


Mantém grafia original

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