CONFIDENCIA A PIERROT
Ó Pierrot, velho simbolo cançado,
Toda a saudade em teu olhar se abriga,
E a tua voz num fremito mendiga
Ao Sonho o esquecimento do Passado!...
Irmão Pierrot, ó timido exilado,
Tambem eu ando morto de fadiga,
Minh’alma de si mesma é inimiga,
E eu choro de mim proprio fatigado.
É de mim, é de mim principalmente,
De quem eu mais quizera andar ausente,
E de quem, dia e noite, me acompanho!
Fôra eu pastor, vivesse a errar nos montes...
E perdido entre os ermos horizontes,
De mim e da minh’alma andasse extranho.
Maio 1922
In Revista “Contemporanea”
Director – José Pacheco
Redactor Principal – Oliveira Mouta
Editor – Agostinho Fernandes
Ano I – Volume I – Nº 2 – Ano 1922
Pág. 80
Américo Durão
1894 – 1969
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