CÁ TE ESPERO...

Recordando... Antero de Quental

NOCTURNO


 


Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!


 


 


In “Sonetos”


Colecção – Autores Portugueses de Ontem


Estante Editora – Maio de 1989


 


Antero de Quental


1842 – 1891

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