CÁ TE ESPERO...

Recordando... Antero de Quental

O PALÁCIO DA VENTURA


 


Sonho que sou um cavaleiro andante.


Por desertos, por sóis, por noite escura,


Paladino do amor, busca anelante


O palácio encantado da Ventura!


 


Mas já desmaio, exausto e vacilante,


Quebrada a espada já, rota a armadura...


E eis que súbito o avisto, fulgurante


Na sua pompa e aérea formosura!


 


Com grandes golpes bato à porta e brado:


Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...


Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!


 


Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...


Mas dentro encontro só, cheio de dor,


Silêncio e escuridão - e nada mais!    


 


 


In “Sonetos Completos”


Prefácio de Oliveira Martins


Publicações Anagrama. Lda.


 


Antero de Quental


1842 - 1891

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