CÁ TE ESPERO...

Recordando... Antero Quental

Uma Amiga


 


 


Aqueles que eu amei, não sei que vento
Os dispersou no mundo, que os não vejo...
Estendo os braços e nas trevas beijo
Visões que a noite evoca o sentimento...

Outros me causam mais cruel tormento
Que a saudade dos mortos... que eu invejo...
Passam por mim... mas como que têm pejo
Da minha soledade e abatimento!

Daquela primavera venturosa
Não resta uma flor só, uma só rosa...
Tudo o vento varreu, queimou o gelo!

Tu só foste fiel – tu, como d'antes,
Inda volves teus olhos radiantes...
Para ver o meu mal... e escarnecê-lo!


 


 


Antero de Quental


(1842 – 1891)


In Sonetos – Estante Editora


 


 

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