CÁ TE ESPERO...

Recordando... Antero Quental... Poeta do Séc. XIX

 MÃE…


 


 Mãe – que adormente este viver dorido,

 E me vele esta noite de tal frio,

 E com as mãos piedosas até o fio

 Do meu pobre existir, meio partido…

 Que me leve consigo, adormecido,

 Ao passar pelo sítio mais sombrio…

 Me banhe e lave a alma lá no rio

 Da clara luz do seu olhar querido…

 Eu dava o meu orgulho de homem – dava

 Minha estéril ciência, sem receio,

 E em débil criancinha me tornava,

 Descuidada, feliz, dócil também,

 Se eu pudesse dormir sobre o teu seio,

 Se tu fosses, querida, a minha mãe!


 


 


In "Sonetos Completos"


Publicações Anagrama – Maio.1980


 


Antero Quental


1842 – 1891


 

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