CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Barahona

TEMOR DE NÃO HAVER DEUS


 


Temia não ressuscitar de novo:


eram tantas as mortes, que vivera


no decurso da sua vida até agora,


que morria pra não viver já morto


 


E continuava cego, só e absorto,


pálido entre símbolos de cera,


a caminhar no tempo, sobre a hora,


tal como sobre a água em passo curto


 


De tudo o que aprendera não constava


nada, que o ensinasse a morrer já


sem perguntar a Deus, se Deus existe


 


A certeza maior da sua fé


à maior alegria não quadrava,


mas somente à menor, que é quase triste


 


In “Sombra das Minhas Mãos”


Editora LG - 1998


 


António Barahona


(N. 1939)

0