CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Barbosa Bacelar

A UM PRADO FLORIDO


 


Do que sou me vi já mui diferente,


Alegre tu virás a estar de luto:


Qual te vejo, me vi com flor, e fruto,


Qual me vês, te verás bem descontente:


 


Dá-te agora tributo o estio ardente,


Eu ao frio inverno dou tributo,


Assim nos fez o tempo sempre astuto,


Se triste agora a mim, a ti florente:


 


Não queiras fazer certo o meu receio,


Pois tens exemplo em mim: Ah quem me dera,


Que em mim escarmentaras teus enganos!


 


Mas lá virá o tempo horrendo, e feio,


Donde perca seu brio a primavera,


E te sirvam de dor meus desenganos.


 


 


Fénix Renascida


 


In "Breve Antologia Poética do Período Barroco"


Livª. Civilização Editora – Porto e Contexto Editora – Lisboa


 


António Barbosa Bacelar


1610 – 1663


 


  


 


 


 

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