CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Barbosa Bacelar

A UMAS SAUDADES


 


Saudades de meu bem, que noite e dia


A alma atormentais, se é vosso intento


Acabares-me a vida com tormento,


Mais lisonja será, que tirania.


 


Mas quando me matar vossa porfia,


De morrer tenho tal contentamento,


Que em me matando vosso sentimento,


Me há-de ressuscitar minha alegria.


 


Porém matai-me embora, que pretendo


Satisfazer com mortes repetidas


O que à beleza sua estou devendo.


 


Vidas me dai para tirar-me vidas,


Que ao grande gosto, com que as for perdendo


Serão todas as mortes bem devidas.


 


 


Fénix Renascida II


 


In “Breve Antologia Poética do Período Barroco”


Livª. Civilização Editora – Porto e Contexto Editora – Lisboa


 


António Barbosa Bacelar


1610 – 1663   

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