CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Barbosa Bacelar

A UM RETRATO


 


Neste retrato de imortal beleza,


Que soube copiar pincel polido,


Vejo a preceitos de arte, reduzido


O trabalho maior da natureza:


 


Para esta, ó Clóris, singular empresa,


Cuido pediu o artífice escolhido


À mesma natureza advertido


As ideias da vossa gentileza:


 


Obrou em fim com tão ditoso acerto,


Que mui mal o discurso compreende,


Qual é a cópia, ou qual é a copiada:


 


Que imita a arte à natureza é certo,


Mas nesta rara cópia não se entende,


Se foi imitadora, se imitada.


 


(Fénix Renascida 1716-1721)


 


In “Breve antologia poética do período barroco”


Livraria Civilização Editora e Contexto Editora


 


António Barbosa Bacelar


(1610-1663)


Portugal

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