A UM RETRATO
Neste retrato de imortal beleza,
Que soube copiar pincel polido,
Vejo a preceitos de arte, reduzido
O trabalho maior da natureza:
Para esta, ó Clóris, singular empresa,
Cuido pediu o artífice escolhido
À mesma natureza advertido
As ideias da vossa gentileza:
Obrou em fim com tão ditoso acerto,
Que mui mal o discurso compreende,
Qual é a cópia, ou qual é a copiada:
Que imita a arte à natureza é certo,
Mas nesta rara cópia não se entende,
Se foi imitadora, se imitada.
(Fénix Renascida 1716-1721)
In “Breve antologia poética do período barroco”
Livraria Civilização Editora e Contexto Editora
António Barbosa Bacelar
(1610-1663)
Portugal