HÁ SETE ANOS
Depois de nos amarmos rosto a rosto
perdemo-nos ao conto das estrelas.
na espera deixou-nos o desgosto
sete redondas laranjas amarelas.
Os gomos estão cheios do revés
dos sonhos que ficaram em promessa.
O amor o sol desfazem a acidez
beijando a casca amarelinha espessa.
Laranjas do laranjal da vida
que o tempo amadurou no seu rodar
quando acabar tão longa despedida
hei-de fazer com elas um colar.
Ou pela tarde quando o sol desmaia
vou atirá-las uma a uma ao ar
e tu compões de leve a tua saia
que em teu regaço é que irão pousar.
In “No Mar Oceano”
Editorial Caminho
António Braga Coelho
N. 1928