CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Cândido Franco

Ó SAUDADE DAS TREVAS


 


Ó Saudade das trevas


que hoje são luz.


Ó Saudade do silêncio


que é hoje canto.


 


Ó Saudade de nada


que é hoje tudo.


Ó Saudade da criança


que eu hoje sou.


 


Canto


porque fiquei em silêncio.


Vejo


já que na escuridão me perdi.


 


Sou


porque sei.


Cresci


já que parei.


 


E tudo é assim


para que


sem remédio


as trevas


o silêncio e o nada


sejam dentro de mim.


 


In “Estâncias Reunidas” (1977-2002)


Edições Quasi


 


António Cândido Franco


(N. 1956)

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