CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Cândido Franco

MANHÃ ETERNA


 


Terra, mas terra extensa, de longes baços


terra de além


que se alonga e se despedaça em ondas


mas ondas de verdura


nos horizontes.


Terra sem fim, a desfazer-se em fumos.


Além que se desfaz em odores


e em névoas.


Terra, mas terra forte e luminosa


capaz de germinar no seio astros.


Planície que se evapora na altura


enxuta em sol.


Terra de corredores internos


subterrâneos cheios de luz.


Ouro potável, castanho e solar.


Searas extensas como céus.


Grãos luminosos e ardentes, sementes


que se espalham pela terra como cometas.


Terra celeste, flor astral


onde a noite acorda pelo Abril do dia.


Terra de luz, cheia de ouro


que estremece como uma estrela.


 


In “Estrela Subterrânea”


Editora Limiar


 


António Cândido Franco


(N.1956)

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