CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Correia de Oliveira

MÃE


 


Olha, meu filho! quando, à aragem fria


De algum torvo crepúsculo, encontrares


Uma árvore velhinha, em modo e em ares


De abandono e outonal melancolia,


 


Não passes junto dela nesse dia


E nessa hora de bênçãos, sem parares;


Não vás, sem longamente a contemplares:


Vida cansada, trémula e sombria!


 


Já foi nova e floriu entre esplendores:


Talvez em derredor, dos seus amores


Inda haja filhos que lhe queiram bem...


 


Ama-a, respeita-a, ampara-a na velhice;


Sorri-lhe com bondade e com meiguice:


– Lembre-te, ao vê-la, a tua própria Mãe!


 


In “Antologia Poética”


 


António Correia de Oliveira


(1879-1960)

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