CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Crespo

O VELHINHO


 


A J. Cesar Machado


 


Aquele que ali vai triste e cansado


E mais tremente que os juncais do brejo.


Foi outrora o mais belo e o mais amado


Entre os moços do antigo lugarejo.


 


Nas fitas desse lábio desmaiado


Quantas mulheres trémulas de pejo


Não sorveram os néctares do beijo


Dos trigais sobre o leito perfumado!


 


Hoje é velhinho, e fala dos franceses


Aos rapazes da escola, e às raparigas


Que não cansam de ouvi-lo... As mais das vezes


 


Sobre a ponte, sozinho, ouve as cantigas


Das que lavam no rio, e o olhar estende


Ao sol que ao longe na agonia esplende.


 


In “Nocturnos”


 


António Crespo


(1846-1883)

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