CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Durão

VIRGEM DO CEU!


 


Virgem do Ceu! E a chuva que não pára...


O vento geme e ulula ao desafio.


Anda a morte a rondar-nos... Sinto o frio


Em que a Má-Sombra às vezes se mascara.


 


Olhai, lá foge... És tu que vens. Sorrio.


Teu vulto apenas – ó Piedosa e Rara! –


Eterio luminoso, aquece e aclara


O tempo agreste, glacial, sombrio.


 


Caem do teu olhar bênçãos de Paz.


Toda a dôr, toda a magua se desfaz,


Alva açucena casta e misteriosa...


 


Um extasi de amor raza as montanhas,


Quando as tuas mãos sacramentais, extranhas,


Descem, pairando sobre a terra anciosa!


 


In “Contemporanea”


Ano I – Volume II – Nº.6 - Ano 1922


Pág. 96


 


Mantém a grafia original


 


Américo Durão


(1894-1969)

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