CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Feijó

EU E TU


 


Dois! Eu e Tu, num ser indissolúvel! Como


Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,


Aspiram a formar um todo, – em cada assomo


A nossa aspiração mais violenta se ateia...


 


Como a onda e o vento, a lua e a noite, o orvalho e a selva,


– O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noite,


Ou o orvalho inundando as verduras da relva –


Cheio de ti, meu ser d’eflúvios impregnou-te!


 


Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,


O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,


O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,


– Nós dois, d'amor enchendo a noite do degredo,


 


Como parte dum todo, em amplexos supremos


Fundindo os corações no ardor que nos inflama,


Para sempre um ao outro, Eu e Tu pertencemos,


Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama.


 


 


In “Sol de Inverno”


Edição de ?


Publicado em 1922


 


António Feijó


1859 – 1917


 

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