CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Feijó

O AMOR E O TEMPO


 


Pela montanha alcantilada


Todos quatro em alegre companhia,


O Amor, o Tempo, a minha Amada


E eu subíamos um dia.


 


Da minha Amada no gentil semblante


Já se viam indícios de cansaço;


O Amor passava-nos adiante


E o Tempo acelerava o passo.


 


– «Amor! Amor! mais devagar!


Não corras tanto assim, que tão ligeira


Não pode com certeza caminhar


A minha doce companheira!»


 


Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,


Abrem as asas trémulas ao vento...


– «Por que voais assim tão apressados?


Onde vos dirigis?» – Nesse momento.


 


Volta-se o Amor e diz com azedume:


– «Tende paciência, amigos meus!


Eu sempre tive este costume


De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!»


 


In “Sol de Inverno”


Biblioteca de Autores Portugueses


INCM - Imprensa Nacional – 1966


 


António Feijó


1859 – 1917

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