CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Ferreira... Poeta do Séc. XVI

AQUELE CLARO SOL


 


Aquele claro Sol, que me mostrava


O caminho do Céu mais chão, mais certo,


E com o seu novo raio ao longe e ao perto


Toda a sombra mortal me afugentava.


 


Deixa a prisão triste, em que cá estava


Eu fiquei cego e só, com passo incerto,


Perdido peregrino no deserto,


A que faltou a guia, que o levava.


 


Assim co' espírito triste, o juízo escuro,


Suas santas pisadas vou buscando


Por vales e por campos e por montes.


 


Em toda a parte a vejo e a figuro


Ela me toma a mão, e me vai guiando


E meus olhos a seguem, feitos fontes.


 


 


In "Poemas Lusitanos" – 1598


Mandado publicar por seu filho, Miguel Leite Ferreira


 


António Ferreira


1528 – 1569


 


 

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