AQUELE CLARO SOL
Aquele claro Sol, que me mostrava
O caminho do Céu mais chão, mais certo,
E com o seu novo raio ao longe e ao perto
Toda a sombra mortal me afugentava.
Deixa a prisão triste, em que cá estava
Eu fiquei cego e só, com passo incerto,
Perdido peregrino no deserto,
A que faltou a guia, que o levava.
Assim co' espírito triste, o juízo escuro,
Suas santas pisadas vou buscando
Por vales e por campos e por montes.
Em toda a parte a vejo e a figuro
Ela me toma a mão, e me vai guiando
E meus olhos a seguem, feitos fontes.
In "Poemas Lusitanos" – 1598
Mandado publicar por seu filho, Miguel Leite Ferreira
António Ferreira
1528 – 1569