CÁ TE ESPERO...

Recordando António Joaquim de Mesquita e Mello


MAL, QUE NAS FAXAS INFANTIS FUI VISTO


 


Mal, que nas faxas infantis fui visto,


Victima fui de febre torbulenta:


A existência salvei n'essa tormenta,


Para jamais saber aonde existo!


 


Servem-me as Plantas, d'animais me visto,


D'elles me nutro, a Terra me sustenta;


A agoa me refrigera, o Sol me aquenta,


Sem leve idèa eu ter de tudo isto!


 


Meu desastre me oprime em taes correntes,


Que só conheço bem trévas, e penas,


Horríveis Sócias minhas, permanentes!


 


D'este vasto Universo ignoro as Scenas,


Côres, Mar, Terra, Ceo, Plantas, Viventes,


Cousas são de que os nomes sei apenas.


 


 


Nota do autor – Foi por effeito d'uma febre maligna,


que eu perdi na infancia a visão.


 


Antonio Joaquim de Mesquita e Mello


1792 – 1884


In Collecção de Poesias Reimpressas e inéditas


Tomo II – e ultimo. 1861


Porto - Typ. Sebastião José Pereira



 


 


 


 


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