CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Joaquim de Mesquita e Mello

«... Embora cego, quase de nascença, não deixou, contudo, de ser um talentoso poeta e de nos legar uma obra vasta e variada ... »




VEM Ó DOURO REPOR NO BERÇO AUGUSTO


 


Vem ó Douro repor no berço augusto


Aquella, cuja graça não se pinta;


E traze-a tão de manso, que não sinta


Um ligeiro temor, um leve susto.


 


O respeito lhe dá, devido e justo,


Que seu mérito exímio não desminta;


Pois entre as nymphas tuas é distincta,


Qual entre ervinhas levantado arbusto.


 


Mas tu pela razão de ser mais bella,


Eternisando a dôr que me devora,


Cruel talvez recuzarás trazel-a.


 


Ah! Vê que a falta sua um triste chora!


Tu já foste feliz á vista d'ella;


Deixa-me ser tambem feliz agora.


 


 


Soneto L – Página 52


 


Antonio Joaquim de Mesquita e Mello


1792 – 1884


In Collecção de Poesias Reimpressas e Inéditas


Tomo II – e ultimo. 1861


Typ. de Manoel  José Pereira


 



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