«... Embora cego, quase de nascença, não deixou, contudo, de ser um talentoso poeta e de nos legar uma obra vasta e variada ... »
VEM Ó DOURO REPOR NO BERÇO AUGUSTO
Vem ó Douro repor no berço augusto
Aquella, cuja graça não se pinta;
E traze-a tão de manso, que não sinta
Um ligeiro temor, um leve susto.
O respeito lhe dá, devido e justo,
Que seu mérito exímio não desminta;
Pois entre as nymphas tuas é distincta,
Qual entre ervinhas levantado arbusto.
Mas tu pela razão de ser mais bella,
Eternisando a dôr que me devora,
Cruel talvez recuzarás trazel-a.
Ah! Vê que a falta sua um triste chora!
Tu já foste feliz á vista d'ella;
Deixa-me ser tambem feliz agora.
Soneto L – Página 52
Antonio Joaquim de Mesquita e Mello
1792 – 1884
In Collecção de Poesias Reimpressas e Inéditas
Tomo II – e ultimo. 1861
Typ. de Manoel José Pereira