CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Luís Moita

EXÍLIO


 


Moramos a milhões de versos-luz
da mais próxima estrela. Que buscamos
na carne provisória que nos damos
senão este pavor dos ossos nus?


Entre rápidas rosas que anoitecem
e pássaros que tombam e navios
que em vão lançam as âncoras nos rios
e vão morrer no mar a que pertencem,
erguemos pontes, deuses, mitos, casas,
um verso que nem perto se decora.

– Quem nos deu sonho e asas
calou-se. Foi-se embora.


 


 


In “Cidade Sem Tempo”


Edição  do Autor – 1985 


 


António Luís Moita


N. 1925

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