MOIMENTO
Puseram a bandeira a meia-haste
E decretaram luto na cidade,
Responsos, coroas, círios – quanto baste
Para iludir a eternidade.
Teve o nome nas ruas, em moimentos:
«Nasceu – morreu – tantos de tal – Poeta»
Houve discursos graves, longos, lentos.
– Venham todos os ventos
Do planeta!
Rasguem bandeiras, sequem flores; no céu
Se percam orações, paters e glórias
– Tudo isso é dor que não lhe pertenceu –
Destruam as estátuas e as memórias;
Que os discursos inúteis vão dispersos
– A homenagem a um Poeta que morreu
É decorar-lhe os versos!
28 Setembro 49
In “As Folhas de Poesia Távola Redonda"
Fundação Calouste Gulbenkian
Boletim Cultural – Série VI – n.º 11 – Outubro de 1988
António Manuel Couto Viana
1923 – 2010