CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Nobre

PAZ!


 


E a Vida foi, e é assim, e não melhora.


Esforço inutil, crê! Tudo é illuzão...


Quantos não scismam n'isso mesmo a esta hora


Com uma taça, ou um punhal na mão!


 


Mas a Arte, o Lar, um filho, Antonio? Embora!


Chymeras, sonhos, bolas de sabão.


E a tortura do além e quem lá mora!


Isso é, talvez, minha unica afflicção...


 


Toda a dor pode suspportar-se, toda!


Mesmo a da noiva morta em plena boda,


Que por mortalha leva... essa que traz...


 


Mas uma não: é a dor do pensamento!


Ai quem me dera entrar n'esse convento


Que ha além da Morte e que se chama A Paz!


 


(grafia original)


 


In "Só" 


 


António Nobre


(1867-1900)

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