CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Ramos Rosa

PARA UM AMIGO TENHO SEMPRE UM RELÓGIO


 


Para um amigo tenho sempre um relógio


esquecido em qualquer fundo de algibeira.


Mas esse relógio não marca o tempo inútil.


São restos de tabaco e de ternura rápida.


É um arco-iris de sombra, quente e trémulo.


É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.


 


In "Viagem Através duma Nebulosa"


Editora Ática - 1960


 


António Ramos Rosa


(1924 - 2013)

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