CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Ramos Rosa

AS PALAVRAS TÊM ROSTO…


 


As palavras têm rosto: ou de silêncio ou de sangue.


O cavalo que nos domina é uma sombra apenas.


Sem sílabas de água, avança até ao outono.


Uma árvore estende os ramos. As nuvens subsistem.


 


O cavalo é uma hipótese, uma paixão constante


Na rede das suas veias corre um sangue de tempo,


uma árvore se desloca com a alegria das folhas.


Árvore e cavalo transformam-se num só ente real.


 


Eu que acaricio a árvore sinto a força tenaz


da testa do cavalo, a eternidade férrea,


o ser em explosão e eu tão leve folha


 


na sombra deste ser animal vegetal


busco a razão perfeita, a humildade estática,


a força vertical de ser quem sou e o ar.


 


In "Círculo Aberto"


Ed. Caminho


 


António Ramos Rosa


(1924-2013)

0