CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Rebordão Navarro

SABÍAMOS DO MAR SEM O SABERMOS


 


Sabíamos do mar sem o sabermos,


do mar dos mapas, da cor azul do mar,


dos naufrágios no mar,


do sol solto no mar.


 


Sabíamos do mar sem o sentirmos


nos poros dilatados pelo mar,


o verdejante mar escalando as montanhas


tão bruscas como o sal.


 


Sabíamos do mar em sinuosos sinos


assinalando a noite


com corações arrepiados,


abertos como mãos


sulcadas de cabelos e molhadas


de rugas e escamas.


 


Sabíamos do mar em signos, símbolos,


tropos e metáforas.


Sabíamos do mar?


Sabíamos o mar.


Sabíamos a mar


 


In “O Inverno - Poemas (1952 - 1982)”


Imprensa Nacional Casa da Moeda


 


Antónioo Rebordão Navarro


N. 1933

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