SONETO DA CONQUISTA
Ó grandes cavaleiros afonsinos,
bailando no terreiro da capela,
deixai moças da Maia e verdes pinos,
que é tempo agora de saltar p'ra sela!
E rompe a galopada ao som dos sinos,
– e galga matagais que a morte gela…
Os que tornarem, graves peregrinos,
irão depois em voto a Compostela.
"Por Santiago!" – E a terra se dilata.
O Tejo na distancia é como prata,
a cuja orla a hoste se detem.
Brilha o sinal de Christo sobre os peitos.
E os cavaleiros, sempre insatisfeitos,
voltam scismando no que está p'ra além…
In “Contemporanea”
Director – José Pacheco
Redactor Principal – Oliveira Mouta
Editor – Agostinho Fernandes
Ano I – Volume II – Nº.6 - Ano 1922
Pág. 133
António Sardinha
1887 – 1925
Mantém a grafia original