CÁ TE ESPERO...

Recordando... António Sardinha

PORTUCALE


 


Junto do rio, o burgo amuralhado


contempla as aguas com profundo gozo,


– torres  christãs, românico portado,


e o castro ao cimo, rude e pedregoso.


 


Um coração que bata compassado


lembra, batendo, o velho burgo ancioso.


E o burgo oscila como que embarcado


– oscila sobre as aguas em repouso.


 


Chamou-se Portucale o burgo antigo.


À flor das ondas, a scismar consigo,


é terra ainda e já pertence ao mar...


 


Nasceu depois um reino pequenino.


E porque herdou do burgo o seu destino,


tomou-lhe o nome, ao ir-se baptizar!


 


In “Contemporanea”


Ano I – Volume II – Nº.6 - Ano 1922


Pág. 134


 


(Mantém a grafia original)


 


António Sardinha


(1887-1925) 

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