CÁ TE ESPERO...

Recordando... Artur do Cruzeiro Seixas

ERA UMA PEDRA FEMININA


 


Era uma pedra feminina


muito perto de uma pedra bem masculina


onde


a todo o comprimento do mastro


batiam os dentes das aves.


E o que restava das mãos mais antigas


pedia ainda dinamite


talheres avulso


mastodontes inviolados


alguns jovens em renda para bordar as estradas


hastes primaveris correndo o risco de se tornarem de bronze


acenando


a uma paisagem


hexagonal


maior que a soma de todas as janelas.


 


In “Obra Poética”


Porto Editora


 


Artur do Cruzeiro Seixas


(1920-2020)


Portugal

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